A síndrome do sobrevivente é conhecida na medicina psicossomática por um quadro desencadeado e sustentado pela culpa. Essa culpa está ligada a pessoa ter passado por um grande trauma e ter sobrevivido.
Por exemplo, uma pessoa que sofreu um acidente de carro com outras pessoas e ela foi a única sobrevivente. Muitas vezes, depois do ocorrido a pessoa vive uma dor profunda, uma tristeza, um vazio, que inconscientemente ela se sente culpada por estar viva, ela sente como se não tivesse o direito de viver.
Outra situação que também ocorre e que a maioria das pessoas não sabem, é que, mesmo que a pessoa não tenha passado por um trauma que gere essa síndrome, ela também sente essa mesma culpa.
Muitas vezes, numa constelação familiar, vejo o quanto uma pessoa está ligada a alguém do passado, por lealdade um descendente revive os sentimentos de alguém do seu sistema familiar, que passou por algum trauma e essa dor não foi processada. O descendente sente a dor no lugar dessa pessoa e que, além de ser inconsciente, muitas vezes essa pessoa não tem nem conhecimento do ocorrido.
As duas situações, seja a pessoa ter passado por algo ou não, este estado desencadeia mecanismos de “autodestruição”. Como a pessoa não suporta permanecer viva, ela vai começar ter comportamentos que a fazem adoecer.
Stephan Hausner, um estudioso sistêmico, fala dessa conexão que faz adoecer. “Para muitos descendentes de sobreviventes é difícil tomar plenamente a própria vida. Eles se autolimitam porque, por uma inconsciente lealdade às vítimas, sentem-se culpados por estarem bem”.
É através dessa lealdade aos ancestrais que a pessoa se sente culpada por estar viva, e adoece para se livrar dessa culpa. A gente percebe muitas vezes que mesmo através de tratamentos médicos, a pessoa não consegue se desvencilhar da doença.
É importante ressaltar que quando uma pessoa percebe tem algo diferente acontecendo consigo, que procure ajuda médica e terapêutica. Quando buscamos uma compreensão maior sobre nós mesmos, podemos trilhar novos caminhos, deixando aquilo que não é nosso e seguindo com aquilo que nos pertence sem culpa, honrando através da vida, todos aqueles que se foram.
Após uma jornada profunda de autoconhecimento e conexão com minha história e a de meus antepassados, descobri um propósito: auxiliar aqueles que buscam apoio para superar seus desafios. Encontrei um espaço onde posso compartilhar minha experiência e trazer clareza para suas vidas.
Gabriele Freire – Consteladora Familiar e Empresarial
Foi através da constelação familiar que dei um salto ou para dizer a verdade, um mergulho dentro de mim mesma, que me possibilitou profunda transformação. Sigo “descascando a minha cebola”, rs, com mais alegria, amor e fluidez na vida. Para mim, é uma imensa alegria em levar a constelação familiar às pessoas que querem olhar para suas vidas, e que tem a coragem de olhar com amor para a sua história.
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